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Aqui sempre foi a casa da Dona Formiga. Cresci vendo minha mãe fazer doces de todo tipo, para satisfazer sua permanente necessidade de açúcar (ela, aliás, sempre come a sobremesa antes do almoço. E depois também). Nossa cozinha parecia uma confeitaria a pleno vapor.
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Era doce de abóbora, cuscuz, pudim de leite, brigadeirão, cocada, papo de anjo, ambrosia, pão-de-ló, torta de maçã, cuca de banana, alitria, bom-bocado de laranja, mousse de maracujá, pavê, arroz doce, biscoitinhos e mais uma variedade incontável de acepipes irresistíveis. No Natal, faz panetones artesanais (e maravilhosos!) para presentear os amigos e os vizinhos. Um luxo só.
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Quem nos visita fica enlouquecido, pois ela expõe ao comensal todo o menu de sobremesas da casa, e diz, triunfante: "Pode escolher".
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Até eu já me arrisco a produzir alguma coisa: há quem diga que o meu bolo de nozes é divino. E que o de chocolate com cobertura derrete na boca. E que a paglia italiana é de comer ajoelhado. Se assim for, é porque alguma habilidade devo ter herdado de Mamãe Formiga.
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Apesar dessa orgia de guloseimas, ninguém na minha casa é gordinho. E minha mãe, surpreendemente, tem suas taxas de açúcar perfeitamente normais. Felizmente é assim, porque ela não passa sem os doces, embora precise controlar o colesterol.
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Ela gosta quando chegamos da rua com balas, e adora aqueles doces de padaria - mil folhas, bomba, quindim, etc. - e, na falta de alguma coisa açucarada em casa, é capaz de meter uma colher de açúcar na boca e deixar derreter com gosto...
Eu achava engraçado quando ela, odontopediatra, recomendava às crianças que não exagerassem nas balas.
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Em época de aniversário e Dia das Mães, raras vezes eu acertava no presente. Até que, de uns tempos pra cá, entendi o espírito da coisa. Dona Formiga não quer roupas, bijuterias, perfumes, nem badulaques pra enfeitar. Muito menos panelas, presente rejeitado por dez entre dez mães. O que ela quer é alguma coisa de comer. E, de preferência, que seja bem docinho. Então passei a fazer cestas, caixas ou sacos cheios de balas de caramelo, biscoitos wafer, nhá benta, bombons, paçocas e tudo o que agradaria imensamente a uma criança. Agora não erro mais.
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Aliás, por falar em aniversário e em doces, minhas primaveras se aproximam. Como sou avessa a muita badalação nesta época, dispenso a comemoração tradicional, com bolo e velas. Isso em casa, porque aqui no blog terá bolo, sim senhor! Bolo, brigadeiro, balões coloridos, como manda o figurino. Só não sei é se vai ter piscina de bolas...
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