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Há certos filmes que se prestam perfeitamente a uma mera distração, mas sem que se extraia deles nenhum conteúdo significativo. E, ultimamente, o o mundo do cinema tem se mostrado muito pouco criativo: sem surpresas e - mais do que isso - sem tramas inteligentes, que rumem a um desfecho inesperado.
Andei um bom tempo longe das telonas e até mesmo das telinhas, e só neste feriado pude finalmente assistir ao badalado vencedor Os Infiltrados, considerado a obra-prima de Martin Scorsese nesse ano, vencedor de 4 Oscars, inclusive o de melhor filme. Francamente, não me impressionou. Durante todo o filme, aguardei pela cena surpreendente que justificaria tamanho entusiasmo mundial. Quando, ao fim daquela última - e óbvia - cena, tive a certeza absoluta de que havia perdido meu tempo. Orçado em US$ 90 milhões, a adaptação pecou pela extrema simplicidade, atingindo a mais completa falta de imaginação.
Conferiu aos personagens uma dose exagerada de ingenuidade, que eles, naturalmente, não deveriam ter - aquela cena do envelope é de uma infantilidade comovente - e, parecendo não ter argumento melhor, criou aquele final que mais parecia um começo.
As atuações dos três protagonistas são boas, não se pode negar. Jack Nicholson, como se pode presumir, leva grande parte do filme nas costas. E, ao que parece, foi com isso que Scorsese contou: elenco de primeira, interpretações brilhantes, boa fotografia e algumas passagens que ensaiavam uma reviravolta empolgante.
Mas se você é um dos poucos que ainda não assistiram ao dito cujo, não desanime por conta da minha crítica. Os Infiltrados açambarcou os quatro mais importantes Oscars, além do Globo de Ouro de melhor diretor e de outras indicações. Gosto não se discute. Vale pelo Nicholson e pelos dois moços esforçados, com certeza.
E se tiver uma pipoquinha, também ajuda.
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