Para todos aqueles que trafegam por aí em veículos públicos, especialmente em ônibus de turismo, é recomendável que conheçam algumas regras que, embora não estejam escritas em nenhum manual, são fundamentais para que qualquer viagem, por mais curta que seja, não se torne um verdadeiro inferno. E, a menos que alguém vá viajar absolutamente sozinho em qualquer coisa que ande, é bom respeitar essas “leis” comportamentais.
Sinais de fumaça
De todas as coisas desagradáveis que podem ocorrer durante uma viagem, acho que sentir cheiro de fumaça de cigarro é a pior delas. Principalmente para quem não é fumante, como eu.
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Ao que me consta, em todos os veículos públicos é proibido fumar, mas nem todo mundo respeita isso. Em ônibus totalmente fechados, com ar condicionado, seria um pesadelo. E ninguém é obrigado a impregnar seus pulmões com a nicotina exalada por quem não se manca.
Deitando e rolando
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Tem gente que, mal se aboleta no seu assento e já vai logo inclinando a poltrona até o limite máximo. Considero uma tremenda falta de respeito.

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Primeiro, porque se outras pessoas chegarem e quiserem se sentar na poltrona de trás, encontrarão dificuldades para se acomodar, já que o folgado da frente está praticamente “deitado” no seu lugar. Se quiserem sair, vêem-se “entaladas”.
Segundo, porque o passageiro de trás pode ser alto, ter pernas longas. Com o coleguinha da frente totalmente reclinado, o de trás ficaria imprensado, e chegaria ao seu destino todo empenado.
E, terceiro, porque o cidadão da poltrona de trás pode estar lendo um jornal – coisa bastante comum em ônibus. Quando o espaçoso se recosta, joga o jornal na cara do leitor logo atrás dele. Uma falta de educação.
Ai, minha enxaqueca
Se tem uma coisa que eu não tolero é perfume forte demais. Seja em ônibus, metrô, carro, ou até mesmo em elevador. Começo a ficar nauseada, e com uma dor de cabeça insuportável. E, quando alguém excessivamente “perfumado” se senta ao meu lado ou não muito distante de mim, já posso intuir que aquela será uma viagem DAQUELAS.
Acredito que, como eu, muita gente não goste de essências fortes. (Deve-se levar em consideração também que há pessoas extremamente alérgicas a perfume, o que significaria ir se empolando estrada afora).
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Outro dia mesmo, sentou-se bem ao meu lado uma dessas mulheres que não sabem se perfumar. Parecia ter bebido um frasco inteiro de Amarige ou qualquer um desses Givenchy’s que só se usa uma gotinha à noite e olhe lá. Completamente tonta já na primeira curva, eu rezava para os santos dos narizes entupidos para que ela não se mexesse. Porque, a cada movimento da moça, minhas narinas pediam socorro. Cheguei a achar que aquele cheiro podia passar pra mim, já que meu sutil “Mamãe e Bebê” não conseguia fazer frente àquele extrato inebriante.
Saldo da história: cheguei enjoada e trôpega como um peru em dia de Natal, como se tivesse tomado um porre.
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Blá Blá Blá
Não tem nada mais chato do que sentar ao lado de um passageiro que mal pode conter a língua parada dentro da boca. Basta você se sentar, que o tipo falante já fica te encarando para, logo em seguida, entabular uma conversa in-ter-mi-ná-vel, que só terá fim na próxima rodoviária.
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É claro que há papos interessantes, que parecem até diminuir o tempo de viagem. Mas é preciso ter um certo “feeling” para perceber se o outro quer ou não falar.
Há dias em que quero ir em silêncio durante todo o percurso. Nesses momentos, nada mais inconveniente do que aquelas pessoas que ficam puxando papo e tocando no seu braço quando você desvia o olhar para a estrada.
Devo dizer que isso também me deixa ligeiramente tonta – essa coisa de ficar olhando muito tempo para a pessoa ao lado e vendo a paisagem passar atrás me dá um enjôo...
O melhor é ficar quietinho, ou falar só o necessário. Até porque, papos assim acabam incomodando também os passageiros adjacentes.
Mamãe, estou no ônibus
Em quase todas as viagens, é aquela sinfonia de celulares: na partida ou na chegada, no início, no meio ou no fim, ouço sempre vários telefones tocando, e aquelas musiquinhas irritantes se misturam o tempo todo. Quem atende geralmente fala alto, incomodando os outros, ou acordando quem estava tirando um ronquinho.
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É melhor manter o telefone no modo vibratório e, ao atender, falar num volume baixo e discreto, porque o resto do pessoal não precisa tomar parte no assunto, nem está interessado nisso.
Não dá pé
Considero um absurdo quem apóia o pé no braço da poltrona da frente. Isso porque há espaço para o passageiro viajar confortavelmente sem precisar invadir o espaço alheio, e nada justifica essa falta de urbanidade.
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Quer colocar o pé com sapato na poltrona da casa dele, ou em cima da própria cama, tudo bem - não é problema meu. Mas descansar as patas numa coisa que será usada por outras pessoas é inadmissível.
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Entre outras formas de fazer uma viagem parecer mais longa, estas são as mais corriqueiras e, talvez, as mais incômodas. E não é só nesta situação que a civilidade faz falta: faz também na rua, nos restaurantes, nos cinemas... mas isso é outra história.