.Dia desses, eu, pessoa comum que sou, fui pagar umas continhas numa lotérica da Terra de Marlboro. Tudo muito corriqueiro, normal e monótono, até que a mocinha do caixa, que conferia as notas que eu havia lhe entregado, me interpela:
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- Moça, há algo estranho aqui.
- Cuma?
- Essa nota. Ela é suspeita.
- Suspeita?
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Nisso, sai lá de dentro uma mulher, que aparentava ser a "dona do estabelecimento". A mocinha mostra a nota "suspeita" para ela, que se volta para mim:
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- Não estamos afirmando, mas a nota é suspeita. Sinta só a textura do papel.
.Senti.
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- É... parece meio fina, mesmo.
- Então leve no banco, só para ter certeza.
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Nem foi preciso, bastou olhar melhor. Era falsa, falsa. Papel ordinário, marca d'água grosseira, impressão ligeiramente borrada. Aquela nota havia sido sacada de um caixa eletrônico e ido direto para o envelope, de onde só saiu na dita lotérica que, evidentemente, não pôde aceitá-la. E, uma vez saída da agência, o banco não se responsabiliza. Enfim, eu me sentia como se estivesse tentando pagar uma conta com aquele dinheirinho de papelão do Banco Imobiliário.
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Não costumava conferir notas que viessem diretamente do banco, santa inocência. Mas de agora em diante, se for preciso, confiro até saques mais altos, mesmo que para isso eu tenha que olhar nota por nota, na cara de todo mundo. Principalmente depois de ficar sabendo, por pessoas conhecidas, que andam rolando notas falsas pela cidade, e de todos os valores, até os mais baixos.
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Porque vamos combinar que é muito chato, para o portador da nota, ser olhado pelo caixa como se tivesse acabado de fabricar aquele dinheiro nos fundos do quintal de casa.
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