Tiros e mísseis
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Na seqüência, engrenei com A Cidade do Sol, o segundo romance do escritor Khaled Hosseini, o mesmo que escreveu o tristíssimo O Caçador de Pipas. Neste novo livro, a história gira em torno da trajetória de vida de duas mulheres – Mariam e Laila - , contextualizada no auge de uma guerra interna e da eterna briga de foices entre as diferentes etnias afegãs. Especialista em enredos lacrimejantes, Hosseini trata de impregnar o livro de muito sangue, guerra, sacrifícios, segredos e outros ingredientes que também fizeram parte da receita do livro anterior. Desta vez, porém, a mensagem é ainda mais clara: em certas regiões do Afeganistão, nascer mulher é um fardo, uma verdadeira maldição.
A história nos absorve até a última linha, mas não escapa ao estilo do autor, que manteve as terras afegãs como cenário para as desventuras das duas personagens centrais, como acontece em “O Caçador(...)”. Do ponto de vista cultural, é chocante constatar as distorções de valores que emergem do comportamento das pessoas, levando-se em conta que a violência e a religião são quase conseqüência uma da outra. Do ponto de vista literário, não é nada muito profundo, e os diálogos são simples, comuns. Num balanço geral, o livro é bom, não é desperdício de dinheiro comprá-lo. Mas não espere mais do que já viu em “O Caçador de Pipas”, pois é basicamente o mesmo conceito.
É interessante notar que este novo livro, assim como o anterior, pode perfeitamente ser transposto para as telonas, pois é uma história adaptável ao cinema. O primeiro livro já está em vias de virar filme. O segundo, por seu conteúdo, também pode ter o mesmo destino. Vamos aguardar.

Para não perder o embalo, comprei Elite da Tropa, o livro no qual o filme foi baseado. Li em três dias. Dividido em duas partes – a primeira, constituída de histórias mais curtas, e a segunda, de uma complexa trama que põe no mesmo balaio a polícia, a política e o crime -, “Elite da Tropa” é um compacto dos piores momentos da segurança pública no Brasil, porque, embora revestido de uma fina capa de ficção, fica claro que tudo aquilo que é descrito ali acontece de verdade, todos os dias. Portanto, não estranhe se terminar a leitura com a sensação de estômago embrulhado. É normal.
Só mais um detalhe: a capa do livro foi alterada. A original era a lateral da cabeça de um policial de capacete – a atual, aproveitando o marketing do filme, é o “Capitão Nascimento”. Nada contra o ator ou o personagem, mas achei que, com essa capa, o livro adquiriu um ar oportunista, como se estivesse "pegando carona" no sucesso do filme, embora aquele tenha vindo antes deste. Sei lá, me pareceu uma estratégia comercial muito descarada.
Só mais um detalhe: a capa do livro foi alterada. A original era a lateral da cabeça de um policial de capacete – a atual, aproveitando o marketing do filme, é o “Capitão Nascimento”. Nada contra o ator ou o personagem, mas achei que, com essa capa, o livro adquiriu um ar oportunista, como se estivesse "pegando carona" no sucesso do filme, embora aquele tenha vindo antes deste. Sei lá, me pareceu uma estratégia comercial muito descarada.
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(Por falar nisso, não resisti e vi o filme de novo. E veria outras vezes. Afinal, cenas como aquelas, só mesmo na ficção).
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Na seqüência, engrenei com A Cidade do Sol, o segundo romance do escritor Khaled Hosseini, o mesmo que escreveu o tristíssimo O Caçador de Pipas. Neste novo livro, a história gira em torno da trajetória de vida de duas mulheres – Mariam e Laila - , contextualizada no auge de uma guerra interna e da eterna briga de foices entre as diferentes etnias afegãs. Especialista em enredos lacrimejantes, Hosseini trata de impregnar o livro de muito sangue, guerra, sacrifícios, segredos e outros ingredientes que também fizeram parte da receita do livro anterior. Desta vez, porém, a mensagem é ainda mais clara: em certas regiões do Afeganistão, nascer mulher é um fardo, uma verdadeira maldição.
A história nos absorve até a última linha, mas não escapa ao estilo do autor, que manteve as terras afegãs como cenário para as desventuras das duas personagens centrais, como acontece em “O Caçador(...)”. Do ponto de vista cultural, é chocante constatar as distorções de valores que emergem do comportamento das pessoas, levando-se em conta que a violência e a religião são quase conseqüência uma da outra. Do ponto de vista literário, não é nada muito profundo, e os diálogos são simples, comuns. Num balanço geral, o livro é bom, não é desperdício de dinheiro comprá-lo. Mas não espere mais do que já viu em “O Caçador de Pipas”, pois é basicamente o mesmo conceito.
É interessante notar que este novo livro, assim como o anterior, pode perfeitamente ser transposto para as telonas, pois é uma história adaptável ao cinema. O primeiro livro já está em vias de virar filme. O segundo, por seu conteúdo, também pode ter o mesmo destino. Vamos aguardar.
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