Blog by Dani

domingo, setembro 04, 2005

Minha alma canta...


O Rio de Janeiro é uma cidade que amo, mas onde infelizmente não moro. Por uma dessas incongruências do destino, vim a nascer num outro município do estado, coisa que mais tarde me traria problemas e frustrações.
Filha de pais cariocas, sobrinha e prima de cariocas, todos legítimos, considero-me 99% carioca - o 1% restante corresponde ao que consta na minha carteira de identidade. Jamais consegui me adaptar aos eflúvios provincianos do interior e suas limitações, o que me fez desejar ardentemente atender às súplicas da minha desterrada alminha carioca. O principal entrave é que essa alma encontra-se aprisionada num corpo que, no momento, se vê impossibilitado de concretizar este desejo, pela mais absoluta falta de oportunidades e de verbas.
Vou ao Rio com uma certa freqüência, para desopilar o fígado e recarregar minhas energias, que sofrem uma baixa quando fico tempo demais sem pisar em solo carioca. Gosto de chegar lá, respirar aquele ar, gravar indelevelmente aquelas paisagens nas minhas retinas. Há um certo desconforto ao voltar - sinto-me como uma figurinha que é descolada violentamente do álbum.
A cidade onde moro provavelmente não é o pior lugar do mundo, e para muita gente é um refúgio da violência e da agitação do Rio. Mas quando não estamos satisfeitos com a vida que levamos, quando nossos projetos começam a gritar para serem postos em prática e nos sentimos ancorados a um lugar que não nos agrada, este lugar passa a ser visto com antipatia, como se fosse um purgatório onde, dia a pós dia, pagamos nossos pecados - à vista e sem desconto.

No Rio, ao contrário, consigo me sentir parte integrante da paisagem. Posso ter visto mil vezes aquele céu, aquele mar - jamais me cansarei daquela cidade. E o deslumbramento que contagia a todos não se resume apenas ao que vemos, às belezas concretas, mas a um estado de espírito que nos enleva. Há uma efervescência invisível cujo efeito é quase alucinógeno, indescritível. Outro dia mesmo, encarapitada no Morro da Urca, olhei para aquele cenário que se descortinava na frente dos meus olhos e me deu um ligeiro travo na garganta. Só não chorei porque eu sou mulher, e não fica bem mulher chorar... (rs)

2 Comments:

  • At 1:12 AM, Anonymous Anônimo said…

    Oi.

    Belíssima crônica essa sua... Melhor até mesmo do que aquelas usadas nas provas dos concursos vestibulares... Tem sentimento, emoção... Muito boa mesmo...

    Beijos,

    Rangel

     
  • At 1:10 PM, Anonymous Anônimo said…

    Tudo que é feito com sinceridade e amor é mais honesto. Adoro ler seus comentários e opiniões.
    Te adoro, meu amor!!!
    Mil Beijões,
    Leleco

     

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